Comissão Especial de Gestão e Empreendedorismo Jurídico da OABRJ: inovação e oportunidades na advocacia

A advocacia está passando por transformações importantes. Em um mercado cada vez mais competitivo e conectado, a gestão profissional, o empreendedorismo e a inovação tornaram-se ferramentas fundamentais para o desenvolvimento da carreira jurídica.

Por Redação
Nesse cenário, a Comissão Especial de Gestão e Empreendedorismo Jurídico da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio de Janeiro (OAB RJ) tem como proposta fomentar discussões e iniciativas voltadas à modernização da advocacia, incentivando uma atuação mais estratégica, eficiente e preparada para os desafios do mercado.
O trabalho da comissão envolve temas como gestão de escritórios, planejamento estratégico, inovação, tecnologia, inteligência artificial, marketing jurídico, liderança e desenvolvimento de novos modelos de negócios na área do Direito.
Mais do que acompanhar as mudanças, a proposta é estimular os profissionais a compreenderem as novas oportunidades que surgem no universo jurídico, sem perder de vista a ética, a responsabilidade e o compromisso com a Justiça.
Empreender na advocacia também significa inovar, desenvolver habilidades e construir novas possibilidades profissionais.
O debate sobre o futuro da profissão é essencial para preparar advogados e advogadas para uma realidade em constante transformação.
Em um cenário em que a advocacia passa por constantes transformações, a gestão, o empreendedorismo e a inovação assumem um papel cada vez mais importante na construção de novas oportunidades profissionais. Para falar sobre os desafios e as perspectivas do mercado jurídico, entrevistei Simone Amara Fernandes, presidente da Comissão Especial de Gestão e Empreendedorismo Jurídico da OABRJ. Durante nossa conversa, abordamos o futuro da advocacia, a importância da gestão estratégica, o uso da tecnologia e os caminhos para que os profissionais do Direito se destaquem em um mercado cada vez mais competitivo.
1. Simone, a advocacia mudou muito nos últimos anos. Hoje, além de conhecer as leis, o advogado também precisa saber administrar um negócio?
Com certeza. O saber jurídico é a nossa premissa básica, a nossa obrigação ética, mas ele sozinho não sustenta mais uma carreira a longo prazo. Durante muito tempo a faculdade nos preparou exclusivamente para sermos técnicos do processo, operadores do Direito, nos preparou para o litígio. Só que, a partir do momento em que você abre as portas — físicas ou digitais — do seu escritório, você se torna gestor, querendo ou não! Você precisa entender de fluxo de caixa, precificação de honorários, atendimento, retenção de clientes e inovação. Enxergar a advocacia com mentalidade empreendedora não desvirtua a nossa profissão; pelo contrário, é o que garante sustentabilidade, autonomia e dignidade para o exercício da advocacia.
2. Muitos profissionais saem da faculdade de Direito sem saber como abrir e administrar o próprio escritório. Quais são os primeiros passos para quem deseja empreender na advocacia?
O primeiro passo é desmistificar a ideia de que empreender exige começar grande. A nossa profissão, acredito, que seja a única que ao se habilitar com a carteira da OAB e ter o token, você pode no mesmo dia já trabalhar, sem precisar montar uma estrutura, como por exemplo de um dentista. Quem está saindo da faculdade precisa esquecer a magia demonstrada nos telas, o mundo real é realmente difícil e doloroso, principalmente para aqueles que não tem uma estrutura já formada, como filhos que estão seguindo a carreira dos pais. Não é fácil sair da faculdade já com um nicho definido, mas se já tiver, ótimo, tente, se não der bom, tenta outro e outro até você se conhecer e entender a sua capacidade de atuar naquela área! O advogado precisa entender que somos um solucionador de problemas, de dores, então pergunte-se: qual dor específica do cliente você resolve? Depois disso, o foco deve ser estruturar o básico:
Organização financeira imediata: separar desde o primeiro dia o dinheiro pessoal da conta profissional.
Processos e rotina: definir como será o fluxo de atendimento, desde a captação do contato até a elaboração do contrato de honorários e a prestação de contas.
Rede de relações (networking real): frequentar a OAB, participar ativamente de comissões temáticas e se conectar com colegas. Parcerias estratégicas são a alavanca mais rápida para quem está começando sem estrutura consolidada.
3. Existe uma dificuldade financeira muito grande para advogados iniciantes. Como começar uma carreira jurídica sem ter recursos para montar um escritório estruturado?
Hoje, a advocacia não depende mais de uma sala suntuosa no centro da cidade para existir e transmitir autoridade. Quando comecei, a barreira de entrada física era imensa; hoje temos instrumentos fantásticos:
Estrutura compartilhada: use os espaços da OAB, salas de coworking ou escritórios virtuais apenas para reuniões presenciais estratégicas.
Atendimento digital: boa parte dos clientes prefere a agilidade de uma reunião online bem conduzida à perda de tempo no trânsito.
Advocacia em parceria: se você ainda não tem recursos para bancar grandes custos fixos, una forças com colegas que já possuem estrutura ou com quem complementa a sua área de atuação (por exemplo, dividindo diligências ou atuando como correspondente qualificado).
Investimento em posicionamento e autoridade: um perfil profissional organizado nas redes, produzindo conteúdo informativo e sério, gera visibilidade com custo quase zero. O cliente quer segurança, atenção e solução rápida, não mármore na recepção.
4. A tecnologia e a inteligência artificial estão transformando o mercado jurídico. O advogado que não acompanhar essas mudanças corre o risco de perder espaço?
Sem dúvida. Mas não pela tecnologia em si, e sim porque o advogado que domina a tecnologia vai substituir o advogado que a ignora. A inteligência artificial e as ferramentas de automação não vieram para tirar o nosso raciocínio jurídico ou o calor humano do atendimento; vieram para nos livrar do trabalho braçal e burocrático, daquela rotina pesada de triagem e minutas repetitivas, aliviar as petições intercorrentes, de juntada etc.
Acompanhar essa revolução é questão de sobrevivência e ganho de tempo. O tempo que a IA economiza na redação de uma peça preliminar ou na análise documental é o tempo que você ganha para estar com o cliente, pensar na estratégia processual em tribunais e gerir o seu escritório.
5. Como desenvolver estratégias de marketing jurídico para conquistar clientes sem desrespeitar o Código de Ética da OAB?
A chave do marketing jurídico ético se resume a uma palavra: conteúdo. O provimento da OAB é muito claro ao vedar a mercantilização, a captação indevida e principalmente a promessa de resultados. No entanto, ele incentiva e legitima o marketing de autoridade e a educação de direitos. O marketing informativo. Você não precisa colocar faixa dizendo "consulte um advogado"; você deve explicar, de forma simples, humana e acessível, os problemas que as pessoas enfrentam no cotidiano — seja numa partilha de bens, divórcio ou numa revisão contratual. Quando você entrega informação relevante e orienta o público, a autoridade se constrói naturalmente, e o cliente procura você porque enxerga competência e confiança, não propaganda apelativa.
6. A gestão financeira ainda é um dos grandes problemas dos escritórios de advocacia. Quais erros os profissionais mais cometem ao administrar seus negócios?
Vejo três erros clássicos que quebram muitos escritórios promissores:
Misturar finanças pessoais com as do escritório: utilizar a conta do escritório para pagar despesas domésticas é o caminho mais rápido para a cegueira financeira. O advogado precisa ter pró-labore definido, igualmente a qualquer empresário.
Precificação incorreta: cobrar honorários no "chute" ou apenas copiando a tabela básica sem calcular a hora de trabalho, a complexidade da demanda e os custos fixos envolvidos. Vender hora barata gera sobrecarga e falência. Faça você mesmo a sua tabela, vislumbrando o tempo de trabalho que o processo vai acarretar, audiências, idas ao fórum para despachar, tudo isso deve ser levado em consideração para uma boa precificação.
Não prever a sazonalidade e a inadimplência: a advocacia não tem salário fixo garantido todo mês. Receber um êxito expressivo e gastar tudo imediatamente, sem fazer uma reserva de caixa de pelo menos 6 meses para o escritório, inviabiliza a continuidade do negócio nos meses de recesso ou baixa de processos.
7. As mulheres estão conquistando cada vez mais espaço na advocacia, mas ainda enfrentam desafios relacionados à valorização profissional, liderança e remuneração. O que precisa mudar?
Nós já somos a maioria inscrita nos quadros da OAB, mas ainda precisamos consolidar essa representatividade nos espaços de poder real, nos postos de liderança de grandes bancas, nas presidências de órgãos e na composição dos tribunais. Para mudar esse cenário, precisamos de três movimentos:
Fortalecimento institucional e paridade: regras claras de inclusão e apoio mútuo entre mulheres de carreira jurídica para ocupar mesas de decisão, e não apenas cadeiras coadjuvantes.
Combate à sobrecarga invisível: a conciliação entre carreira, maternidade e vida familiar ainda recai desproporcionalmente sobre a mulher, gerando impacto direto no tempo disponível para produção e networking.
Autovalorização e cobrança justa: precisamos trabalhar o posicionamento das mulheres advogadas para negociar honorários com firmeza, sem timidez ou receio de impor o valor devido ao seu trabalho. Mulher na liderança não é concessão; é justiça e competência comprovada.
8. Qual é o papel da Comissão Especial de Gestão e Empreendedorismo Jurídico da OAB-RJ na capacitação dos advogados e no incentivo a novos negócios jurídicos?
Eu costumo dizer que a Comissão Especial de Gestão e Empreendedorismo Jurídico da OAB-RJ é a mãe/irmã de todas as outras, pois pode e deve conversar com todas as temáticas. O nosso papel é ser um verdadeiro catalisador de transformação para a classe.
A comissão existe justamente para preencher a lacuna que o banco acadêmico tradicional deixou: ensinar o advogado a estruturar sua carreira, gerenciar sua equipe, utilizar tecnologia com inteligência, dominar finanças e inovar na prestação de serviços, além é claro, apresentar novos e diversificados nichos do Direito.
Nosso compromisso na OAB-RJ é democratizar essas ferramentas por meio de eventos práticos, debates com grandes referências do mercado, cartilhas de orientação e capacitação continuada.
Queremos que cada colega, do interior à capital, do recém-formado ao profissional experiente que precisa se reinventar, tenha acesso a métodos modernos para transformar seu conhecimento técnico em um escritório próspero, ético e sustentável. E principalmente que consiga prosperar e se orgulhar de sua profissão!
Comissão Especial de Gestão e Empreendedorismo Jurídico da OABRJ: inovação e oportunidades na advocacia
A advocacia está passando por transformações importantes. Em um mercado cada vez mais competitivo e conectado, a gestão profissional, o empreendedorismo e a inovação tornaram-se ferramentas fundamentais para o desenvolvimento da carreira jurídica.






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